Gesto de Juliano Ferro foi mais pressão política que realidade, para forçar diálogo com o Governo e retomar negociações

O prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro, anunciou nesta quinta-feira, em suas redes sociais, que não vai mais renunciar ao mandato. Oficialmente, ele justificou a decisão dizendo que permanecerá no cargo por causa de uma licitação de R$ 65 milhões, que classificou como a maior obra da história do Município, e por temor de que a vice-prefeita trocasse toda a equipe ao assumir, o que, segundo ele, prejudicaria a cidade.
Na prática, porém, a chamada “renúncia” nunca passou de uma peça de pressão política. No mês passado, Juliano se reuniu com o pré-candidato ao Governo pelo Novo, João Henrique Catan, e, na sequência, deixou vazar uma carta de possível renúncia, chegando a admitir publicamente que cogitava deixar o cargo. O conteúdo gerou ruído, mas, nos bastidores, o movimento teve outra leitura: tratava-se de um recado ao Governo para ser chamado de volta à mesa de negociação.
A verdade é que, muito provavelmente, Juliano não vinha sendo atendido com a atenção que gostaria em suas demandas e decidiu usar a “bomba” da renúncia como forma de fazer jogo duro, chamar atenção e forçar um novo nível de conversa com o Governo do Estado. Funcionou: o assunto ganhou repercussão, o prefeito voltou ao centro do debate e, agora, recua “em defesa do Município”.
O rótulo de “prefeito TikTok” ajuda a entender o estilo: muita performance, pouca chance real de ruptura. Em nenhum momento ele esteve, de fato, próximo de se filiar ao Novo, muito menos de ser vice-governador em uma eventual chapa de João Henrique Catan. O episódio, no fim das contas, revela menos uma crise real de governo e mais uma estratégia clássica de pressão política para reposicionar Juliano Ferro no tabuleiro.





