Levantamento da Real Time Big Data mostra maioria alinhada às críticas de Ratinho e resistência maior entre evangélicos

Uma pesquisa do instituto Real Time Big Data apontou que 84% dos brasileiros rejeitam a escolha da deputada federal trans Erika Hilton (PSOL-SP) para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. O levantamento também mediu a reação do público às declarações do apresentador Ratinho sobre o caso.
Segundo o instituto, 82% dos entrevistados já tinham conhecimento da eleição de Erika Hilton para o comando da comissão; 18% disseram desconhecer o assunto. A pesquisa ouviu 1.200 pessoas entre os dias 17 e 18 de março, em todas as regiões do país, com margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Os dados mostram variações relevantes por faixa etária, renda e religião. Entre jovens de 16 a 34 anos, a aprovação da escolha chega a 25%. Já entre pessoas com 60 anos ou mais, o percentual cai para 8%. No recorte por renda, 27% dos que recebem acima de cinco salários mínimos concordam com a indicação, enquanto entre os que ganham menos de dois salários mínimos o índice é de apenas 15%.
A divisão religiosa também é expressiva: 23% dos católicos aprovam Erika à frente da comissão; entre evangélicos, apenas 5% dizem concordar com a escolha, demonstrando forte resistência desse público à agenda identitária patrocinada pelo PSOL e pela esquerda.
A pesquisa ainda avaliou a repercussão das falas do apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, que criticou a decisão durante seu programa no SBT. De acordo com o levantamento, 61% dos entrevistados concordam com ele, 20% afirmam que a fala estava certa, porém exagerada, e 19% classificaram as declarações como preconceituosas.
Erika Hilton foi eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher em 11 de março, com 11 votos, tornando-se a primeira congressista trans a comandar o colegiado na história do Congresso Nacional. A vice-presidência ficou com a deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), enquanto dez parlamentares votaram em branco. Hilton sucede a deputada Célia Xakriabá (PSOL-MG), mantendo a comissão sob controle da esquerda, apesar da rejeição expressiva registrada na opinião pública.





