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Novas regras nacionais da CNH mudam exame prático e acabam com reprovação automática

Manual unifica critérios, foca em situações reais de trânsito e tira baliza do papel de “vilã” da prova

Carteira de motorista Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil
Carteira de motorista Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

A Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) publicou neste domingo (1º) o Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular, que passa a padronizar, em todo o país, trajeto, percurso e critérios de avaliação da prova prática para obter a CNH. Segundo o documento, a meta é reduzir distorções entre estados e aproximar o exame da realidade do trânsito brasileiro.

O texto afirma que “o exame deve refletir situações reais de condução”, avaliando o comportamento do candidato no fluxo cotidiano, e não apenas a execução mecânica de manobras isoladas. O modelo se baseia em dados de sinistros e dá mais peso às condutas que de fato comprometem a segurança, evitando supervalorizar erros de baixo impacto.

Entre as principais mudanças está o fim das faltas eliminatórias automáticas. O candidato começa a prova com zero ponto e vai somando a pontuação das infrações previstas no Código de Trânsito Brasileiro. Com isso, condutas como “deixar o veículo morrer” deixam de gerar reprovação imediata. Para ser aprovado, a nota não pode ultrapassar dez pontos, seguindo a escala: leve (1), média (2), grave (4) e gravíssima (6).

A baliza também deixa de ser etapa autônoma e eliminatória. O estacionamento passa a ser tratado como parte do trajeto, e não como um “ritual artificial”, nas palavras do secretário nacional de Trânsito, Adrualdo Catão. Segundo ele, o exame não ficará mais fácil, mas “mais real”, com foco em leitura de trânsito, decisões ao volante e convivência com outros veículos e pedestres.

As novas regras se somam a outras mudanças recentes, como o fim da obrigatoriedade de autoescola, curso teórico gratuito oferecido pelo governo, redução de 20 para 2 horas mínimas de aulas práticas e possibilidade de prova com veículo automático. Todos os Detrans são obrigados a seguir as diretrizes nacionais; em caso de descumprimento, há previsão de apurações administrativas e, em última instância, intervenção e troca da presidência.