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Moradores denunciam abandono do Corixo Gonçalinho e cobram ação urgente do DNIT

Canal assoreado, tomado por camalotes e impacto de barcaças ligadas à mineração colocam em risco turismo, renda e navegação

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Moradores, ribeirinhos, donos de pousadas e trabalhadores da região do Corixo Gonçalinho, em Corumbá, denunciam um quadro de abandono que já dura anos e ameaça diretamente o turismo de pesca e o sustento de dezenas de famílias. Segundo eles, o canal está cada vez mais assoreado, tomado por camalotes e com a entrada de água obstruída, o que praticamente inviabiliza o trânsito de embarcações.

O corixo, que sempre permitiu a passagem de barcos com motor de popa de até 50 ou 60 HP, hoje está “na marra”. Moradores relatam que a situação se agravou a partir da operação de uma empresa de navegação, autorizada por órgãos ambientais, que passou a utilizar rebocadores e barcaças de minério na região. Com o rio baixo e embarcações pesadas, o fundo foi sendo revolvido, jogando areia para as margens e fechando a boca do corixo.

“Barco não navega. Os camalotes fecharam tudo. Precisamos do canal aberto para trabalhar e viver”, relatam pousadeiros e ribeirinhos. Eles lembram que o Ministério Público Federal já autuou a empresa responsável e que houve condenação por danos morais e ambientais na ordem de R$ 1,2 milhão, mas, na prática, o problema de fundo – o assoreamento do canal – continua sem solução.

Moradores afirmam ainda que, em 2023, o DNIT chegou a enviar barcaça para limpeza, mas o serviço foi interrompido antes da desobstrução completa: a equipe teria parado “na ponte”, sem abrir a saída do corixo para o rio. Hoje, segundo o denunciante, dragas do DNIT atuam no rio Paraguai em áreas de interesse direto da mineração, enquanto o Corixo Gonçalinho segue esquecido.

A comunidade local reforça que o corixo “não é só um canal, é uma via de vida”: sem ele, o turismo de pesca perde força, pousadas e ranchos ficam ameaçados, e famílias ribeirinhas veem seu direito de ir e vir comprometido.

Diante desse cenário, moradores pedem providências imediatas do DNIT e demais autoridades para dragagem, limpeza e manutenção do Corixo Gonçalinho, evitando que os danos sociais, econômicos e ambientais se tornem irreversíveis na região pantaneira.