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Julgamento sobre extradição de Carla Zambelli é adiado pela 4ª vez na Itália

Defesa alega perseguição política, questiona imparcialidade e tenta substituir turma de magistrados

Carla Zambelli Foto: Lula Marques/ Agência Brasil
Carla Zambelli Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

A Justiça italiana voltou a adiar, nesta terça‑feira (20), a decisão sobre a extradição da ex‑deputada Carla Zambelli, que está presa em Roma desde julho do ano passado. Esta é a quarta vez que o julgamento é postergado. A defesa afirmou que a Corte recuou e abriu prazo para o protocolo de uma arguição de suspeição, permitindo que o caso seja analisado por um novo colegiado de juízes. O advogado Fabio Pagnozzi confirmou que pedirá a substituição dos magistrados por considerar que há indícios de parcialidade.

Segundo os defensores, a Corte havia rejeitado pedidos semelhantes em três ocasiões anteriores, mas agora concedeu três dias para a formalização da suspeição. A defesa também solicita a inclusão do relatório 38 da Polícia Federal, usado no processo que resultou na cassação do mandato da ex‑parlamentar, embora o documento esteja sob sigilo. Outro pedido é a oitiva de Eduardo Tagliaferro, ex‑assessor de Alexandre de Moraes, como testemunha.

Carla Zambelli foi condenada no Brasil por dois processos — o episódio em que perseguiu um homem armada, na véspera do segundo turno de 2022, e a suposta participação na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça por um hacker em 2023. Seus advogados negam qualquer ilicitude e afirmam que ela é vítima de perseguição política promovida por setores alinhados ao governo atual. “Pelos tratados internacionais, não se pode extraditar pessoas que estão sendo perseguidas politicamente. Não tivemos medo dos magistrados hoje e vamos conseguir dentro de três dias a troca dessa turma”, declarou o advogado Pieremilio Sammarco em vídeo divulgado à imprensa.