Valor incinerado por Lula em três anos já é mais de três vezes o registrado em todo o governo Bolsonaro

O Ministério da Saúde do governo Lula (PT) incinerou, apenas em 2025, R$ 108,4 milhões em vacinas, medicamentos e insumos hospitalares. Desse montante, R$ 18,5 milhões – 17,1% do total – ainda estavam dentro do prazo de validade no momento da destruição. Mesmo inferior aos números dos dois anos anteriores, o volume segue acima do patamar observado antes da pandemia de Covid-19.
Levantamento obtido pelo site Metrópoles via Lei de Acesso à Informação mostra que entre os itens destruídos havia medicamentos e equipamentos de altíssimo custo. Entram na lista fármacos oncológicos como o blinatumomabe, usado em casos de Leucemia Linfoblástica Aguda (R$ 141.929,07 por unidade), e o brentuximabe vedotina, indicado para linfomas (R$ 88.905,59 cada). Vacinas contra a dengue e terapias para doenças raras também foram para o lixo.
Segundo o Ministério da Saúde, a taxa de incineração em 2025 foi de 1,48% do estoque, com meta de reduzir para 1% no ano seguinte. A pasta afirma que produtos descartados por “não conformidade técnica” são repostos ou ressarcidos conforme contrato e rejeita o termo “desperdício”. Porém, não esclarece se houve devolução de recursos nos casos em que vacinas e medicamentos comprados por ordem judicial foram destruídos ainda válidos.
O dado mais revelador aparece na comparação política: nos três primeiros anos do atual governo Lula, o total incinerado já soma R$ 2 bilhões, valor 3,3 vezes superior aos R$ 601,5 milhões descartados ao longo de todo o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O pico foi em 2023, com perdas de R$ 1,3 bilhão, sobretudo imunizantes contra a Covid-19 e anestésicos. Oficialmente, a pasta atribui as incinerações a oscilação da demanda, decisões judiciais, mudanças de protocolo, variação na incidência de doenças e avarias – justificativas que não afastam a percepção de grave falha de gestão de estoques em um país com tanta gente na fila por tratamento.





