Nos bastidores, PL já garante espaço a Capitão Contar, enquanto carta pró-Pollon é tratada como gesto isolado sob influência de Michelle

Na entrada da Expogrande 2026, em Campo Grande, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou claro que a famosa carta de Jair Bolsonaro em apoio a Marcos Pollon (PL) não será o fator decisivo na escolha da segunda vaga ao Senado em Mato Grosso do Sul. O senador reafirmou que o critério continuará sendo a pesquisa interna, como definido anteriormente pela cúpula do PL, e revelou que o pai “não sabia desse acordo” quando assinou o documento.
Em público, Flávio confirmou sem hesitação que uma das vagas do PL ao Senado é de Reinaldo Azambuja (PL). Sobre a segunda cadeira, repetiu o combinado de bastidor: mais adiante, será feita pesquisa, e o nome melhor colocado será o apoiado. A “carta pró-Pollon” é, na prática, relativizada. Jair estava preso, fisicamente abatido, sob forte desgaste emocional e distante da articulação real do partido. Nesse cenário, cresceu a influência de Michelle Bolsonaro, hoje o principal vetor de confusão nas disputas internas da direita.
Desde que Michelle passou a “dar pitacos” e tentar pautar as escolhas de Bolsonaro, o PL acumula crises em série: no Ceará, o conflito envolvendo André Fernandes; em Santa Catarina, o impasse entre Caroline de Toni e Esperidião Amin; agora, em MS, o embate entre Capitão Contar e Pollon. Em todos esses casos, relatos internos apontam Michelle como pivô dos atritos, sempre forçando nomes e acordos fora da lógica política construída com as bases locais.
Nos bastidores, o desenho é bem menos nebuloso do que o discurso público sugere. Além de Pollon não atingir sequer metade das intenções de voto de Capitão Contar nas pesquisas internas, a segunda vaga já foi garantida a Contar por Flávio Bolsonaro e Valdemar da Costa Neto. Esse teatro de que “ainda será definido por pesquisa” serve apenas para amenizar o clima entre os “brothers” e evitar uma ruptura aberta com o grupo ligado a Pollon e à própria Michelle.
O recado embutido na fala de Flávio é simples: a carta foi um gesto isolado, escrito em momento de fragilidade de Jair e sob má influência política; o que vale, de fato, é o acordo firmado antes, com pesquisa como filtro e Contar como favorito absoluto. O resto é fachada para administrar egos até o anúncio oficial.





