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Ex-assessor de Fauci se declara culpado por ocultar registros relacionados à Covid-19

David Morens usou e-mail pessoal para tratar de documentos sobre pesquisas com vírus ligadas a cientistas que atuavam em Wuhan

Foto: AFP / Alex WROBLEWSKI
Foto: AFP / Alex WROBLEWSKI

David Morens, ex-assessor de Anthony Fauci nos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH), declarou-se culpado por conspirar para ocultar registros federais relacionados às investigações sobre a origem da Covid-19.

O caso envolve documentos sobre pesquisas com vírus conduzidas por cientistas associados a trabalhos realizados em Wuhan, na China. Segundo o The New York Times, Morens admitiu, em um tribunal federal de Maryland, que utilizou uma conta de e-mail pessoal para tratar de informações relacionadas aos experimentos e evitar que as mensagens fossem divulgadas por meio das leis de acesso a registros públicos.

E-mails de 2020 e 2021, divulgados por um painel da Câmara dos Representantes, mostram Morens discutindo maneiras de contornar as regras federais de transparência. Em uma das mensagens, ele mencionou a intenção de aprender a fazer os e-mails “desaparecerem”.

Como parte do acordo judicial, Morens reconheceu que manteve contato com cientistas de fora do governo para proteger financiamentos federais destinados a pesquisas com vírus. Entre as pessoas envolvidas estava Peter Daszak, então presidente da EcoHealth Alliance, organização que perdeu recursos dos NIH após colaborar com um laboratório de virologia chinês.

Morens também admitiu ter recebido benefícios indevidos, incluindo duas garrafas de vinho e a promessa de uma refeição em um restaurante com estrela Michelin. Ele ainda reconheceu que ajudou Daszak e outro cientista a preparar informações posteriormente encaminhadas a Fauci, identificado no acordo judicial apenas como um funcionário do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID).

O documento judicial não acusa Fauci de irregularidades relacionadas ao caso. Em depoimento ao Congresso, em 2024, o ex-diretor do NIAID afirmou que desconhecia o uso de contas pessoais por subordinados para tratar de assuntos oficiais e classificou a conduta de Morens como “errada e inadequada”.

“O que vocês viram, acredito, com o Dr. Morens foi uma anormalidade e um caso isolado”, declarou Fauci na ocasião.

A sentença de Morens foi marcada para novembro. Ele pode ser condenado a até cinco anos de prisão. Seu advogado, Timothy Belevetz, afirmou que o cliente assumiu a responsabilidade pelos atos cometidos.

A investigação ocorre em meio à pressão de parlamentares republicanos sobre Fauci e outras autoridades de saúde, que são acusados de terem ocultado informações sobre uma possível origem laboratorial do coronavírus. Até o momento, contudo, o caso não apresentou evidências diretas de que cientistas ou autoridades tenham participado de pesquisas que deram origem ou disseminaram o vírus.

A origem da Covid-19 continua sendo objeto de divergências entre as agências de inteligência dos Estados Unidos. FBI, CIA e Departamento de Energia consideram possível um vazamento de laboratório, enquanto outras agências avaliam como mais provável uma transmissão natural entre animais e seres humanos.

Estudos científicos publicados nos últimos anos analisaram a localização dos primeiros casos e evidências genéticas identificadas em um mercado de animais silvestres em Wuhan. Essas pesquisas apontam para a possibilidade de que o vírus tenha passado de animais para humanos naquele local.