Governo Lula resiste à medida enquanto conservadores articulam pressão internacional contra facções brasileiras

O Governo dos Estados Unidos deve anunciar nos próximos dias a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista oficial de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO). Segundo informações divulgadas pelo portal UOL, a papelada já foi concluída no Departamento de Estado e recebeu aval de diferentes órgãos da administração americana, repetindo o modelo aplicado a grupos como o Cartel de Jalisco, no México, e o Tren de Aragua, da Venezuela.
Após essa etapa interna, o documento será encaminhado ao Congresso americano e, em seguida, publicado no Registro Federal, o que deve acontecer em cerca de duas semanas. A partir da designação formal, passam a valer sanções pesadas: congelamento de bens nos EUA, bloqueio de acesso ao sistema financeiro americano e proibição de qualquer apoio material – inclusive fornecimento de armas – por parte de pessoas ou empresas dos Estados Unidos.
O avanço desse processo ocorre em meio ao endurecimento da política americana contra o narcotráfico regional, tema que reuniu, no sábado (7), líderes conservadores latino-americanos em Miami, no encontro Shield of the Americas (Escudo das Américas). De acordo com o UOL, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro teria atuado nos bastidores para impulsionar a classificação de PCC e CV como terroristas, articulando apoio junto a presidentes como Javier Milei (Argentina) e Nayib Bukele (El Salvador), hoje referências do combate duro ao crime organizado.
Na contramão desse movimento, o Governo Lula se posiciona contra a medida. A ala petista argumenta que PCC e Comando Vermelho não teriam “motivação política ou ideológica”, tentando esvaziar o enquadramento como terrorismo. Integrantes do Planalto ainda alegam preocupação com a soberania nacional, temendo que a decisão abra espaço para maior protagonismo de forças americanas em operações na região. Na prática, enquanto conservadores buscam isolar internacionalmente as facções que espalham violência dentro e fora do país, o governo de esquerda prefere relativizar o problema, sob o risco de deixar o Brasil cada vez mais exposto ao crime transnacional.





