Grupo Toky cita juros elevados, crédito restrito e retração no consumo como causas da crise; mais de 2 mil empregos estão em risco

O Grupo Toky, controlador das marcas Tok&Stok, Mobly e Guldi, protocolou nesta terça-feira (12) pedido de recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A companhia acumula dívida de aproximadamente R$ 1,1 bilhão e busca reorganizar suas obrigações para evitar o colapso operacional — mais um capítulo do quadro de deterioração econômica que o governo Lula insiste em ignorar.
Em comunicado ao mercado, a empresa foi direta ao apontar as causas: juros elevados, restrição ao crédito, aumento do endividamento das famílias e retração na compra de bens duráveis. O ambiente pressionou as vendas, reduziu a geração de caixa e inviabilizou o cumprimento de compromissos financeiros, mesmo após tentativas anteriores de renegociação com credores.
Um dos pontos mais críticos do pedido é a solicitação de liberação imediata de R$ 77 milhões referentes a vendas realizadas por cartão de crédito, atualmente retidos pelo SRM Bank. Segundo o grupo, a retenção compromete severamente o fluxo de caixa e ameaça o pagamento da folha salarial de mais de 2 mil funcionários. A empresa também pediu a suspensão de cobranças por 180 dias e proteção contra interrupções em serviços essenciais, como logística, energia e sistemas digitais.
A crise não é de hoje. A deterioração teve início na pandemia, quando o grupo fechou mais de 17 lojas. Em 2023, a Tok&Stok já havia tentado uma reestruturação com renegociação de R$ 339 milhões em dívidas bancárias e aporte de R$ 100 milhões por acionistas. O Grupo Toky foi criado em 2024, unindo Mobly e Tok&Stok em um dos maiores conglomerados de varejo de móveis da América Latina — mas o ambiente econômico hostil não deu trégua.
Enquanto o Planalto celebra números macroeconômicos, empresas e trabalhadores pagam a conta dos juros nas alturas e do crédito cada vez mais caro.





