Deputado de esquerda entra como puxador de votos e, ao lado de Rose Modesto, pode garantir cadeiras da federação às custas de nomes conservadores

A filiação do deputado federal Dagoberto Nogueira (hoje no PSDB, com histórico de alinhamento à esquerda) ao PP nesta terça-feira redesenha a disputa pelas vagas de Mato Grosso do Sul na Câmara dos Deputados. Após romper com Aécio Neves e comunicar que não permaneceria no PSDB, Dagoberto passa a integrar a federação PP/União Brasil, que entra com força na briga com o PL para montar a chapa mais competitiva do Estado.
Com sua chegada, a federação ganha um puxador de votos de perfil mais à esquerda, o que aumenta o potencial para eleger até três deputados federais. O grupo contará, pelo PP, com Dagoberto, o deputado Luiz Ovando – que tenta a reeleição e é um dos principais nomes da direita sul-mato-grossense em Brasília – e o secretário de Desenvolvimento, Jaime Verruck. Pelo União Brasil, entram a ex-deputada federal Rose Modesto e o deputado estadual Roberto Hashioka.
O problema, do ponto de vista conservador, é aritmético e político: Dagoberto, vindo do campo da esquerda, tende a somar muitos votos à federação e pode, na prática, empurrar para fora exatamente um deputado de direita, Luiz Ovando. Com Rose Modesto e o próprio Dagoberto despontando como grandes puxadores, a terceira vaga da federação pode acabar nas mãos de outro nome competitivo, deixando Ovando fora da Câmara mesmo com votação relevante.
Enquanto isso, o PL organiza uma chapa forte, com Rodolfo Nogueira e Marcos Pollon, além da chegada de Mara Caseiro, Edson Giroto, Tenente Portela e Luana Ruiz. Se Pollon não concorrer, sua vaga deve ser ocupada pela esposa, Naiane Bitencourt. Nesse cenário, a entrada de um deputado de esquerda como Dagoberto no PP/União não apenas fortalece a federação, mas também aumenta o risco de que uma cadeira hoje ocupada por um conservador seja tomada por quem tende a votar alinhado ao governo Lula em Brasília.





