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Com vaga garantida a Azambuja e Bolsonaro anunciando Pollon ao Senado, Contar pode perder espaço no PL de Mato Grosso do Sul

Carta escrita na prisão e postagem de Michelle Bolsonaro consolidam Pollon como nome de confiança de Jair, enquanto acordo político mantém Azambuja com vaga cativa e deixa Contar sem legenda para disputar o Senado pelo partido

Reinaldo Azambuja, Marcos Pollon e Capitão Contar - Foto: Montagem Correio do Pantanal
Reinaldo Azambuja, Marcos Pollon e Capitão Contar – Foto: Montagem Correio do Pantanal

A carta escrita por Jair Bolsonaro na prisão, divulgada por Michelle Bolsonaro, reorganizou o tabuleiro do PL em Mato Grosso do Sul. No texto, o ex-presidente afirma que, em breve, divulgará uma lista de pré-candidatos em cada estado e antecipa que, por MS, o seu nome ao Senado será o do deputado federal Marcos Pollon. Michelle reforçou o recado em postagem nas redes, cravando: “O Deputado Marcos Pollon é o nosso candidato ao Senado Federal por Mato Grosso do Sul”.

Com isso, o cenário hoje é de duas vagas praticamente definidas dentro do partido. De um lado, Reinaldo Azambuja, ex-governador e presidente estadual do PL, que opera sob a garantia de “vaga cativa” ao Senado em troca de estruturar a sigla no estado, trazendo prefeitos, vereadores e lideranças. De outro, Pollon, agora apresentado publicamente como o candidato de Bolsonaro e Michelle, ganhando status de nome oficial do bolsonarismo ao Senado em MS.

Esse rearranjo espreme o espaço do Capitão Contar, que havia sido anunciado em Brasília por Valdemar Costa Neto como pré-candidato ao Senado pelo PL e lidera todas as pesquisas internas, inclusive as encomendadas por partidos e pelo próprio governo estadual, segundo bastidores. Em anotação flagrada em foto, o pré-candidato a presidencia pelo PL, Flávio Bolsonaro, chegou a registrar que o “Capitão Contar é o melhor nas pesquisas”. Mesmo assim, a tendência atual é que ele fique sem a legenda para disputar a vaga majoritária pelo partido.

Gianni Nogueira, vice-prefeita de Dourados, também foi inicialmente mencionada por Bolsonaro como seu nome ao Senado, e segue afirmando que mantém a pré-candidatura. Porém, a carta escrita na prisão e a postagem de Michelle fortalecendo Pollon como “o nosso candidato” rebaixam, na prática, o espaço de Gianni dentro do PL.

Há, ainda, um fator político relevante nos bastidores: tanto Bolsonaro quanto Valdemar Costa Neto são vistos no meio político como pouco confiáveis no cumprimento de acordos. O próprio histórico com Tereza Cristina reúne vários episódios de promessas não honradas, e Contar já foi vítima de recuos e sabotagens internas anteriores. Ou seja, mesmo com Azambuja tratado como dono de uma vaga e Pollon anunciado como favorito de Bolsonaro, ninguém no PL ignora que decisões podem mudar ao sabor da conveniência.

Por ora, porém, o desenho é claro:

 Azambuja com vaga assegurada ao Senado, como parte do acordo para comandar e fortalecer o PL no estado;
 Pollon alçado por Bolsonaro e Michelle à condição de candidato oficial ao Senado por Mato Grosso do Sul;
 Capitão Contar, líder nas pesquisas, empurrado para fora da chapa majoritária do PL e forçado a avaliar outros caminhos se quiser manter o projeto ao Senado.

No fim, a caneta – e não as pesquisas – continua decidindo quem entra e quem sobra no jogo do PL em Mato Grosso do Sul.