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Cláusula de barreira ameaça extinguir diversas siglas em 2026, incluindo o Partido Novo; veja quem corre risco

Metas mais duras pressionam legendas frágeis e podem redesenhar o mapa partidário após as eleições

© Divulgação/Partido Novo
© Divulgação/Partido Novo

A eleição de 2026 deve aprofundar a poda no sistema partidário brasileiro. A cláusula de barreira, criada na minirreforma de 2017, exige desempenho mínimo nas urnas para que os partidos mantenham acesso ao fundo partidário e ao tempo de rádio e TV. Quem não bater a meta, na prática, perde relevância política e tende a desaparecer por fusão ou incorporação – destino já enfrentado por PPL, PRP, PHS, Pros, PSC, Patriota e PTB desde 2018.

Neste ciclo, a regra sobe mais um degrau: será preciso eleger ao menos 13 deputados federais ou conquistar 2,5% dos votos válidos para a Câmara. Pelo menos nove siglas entram em 2026 sob forte risco, o que atinge legendas de direita, centro e esquerda. Para escapar, a lei permite basicamente dois caminhos: fusão (quando partidos se unem e viram uma só sigla) ou federação (aliança que obriga atuação conjunta por, no mínimo, quatro anos).

O Novo, hoje com 5 deputados federais e 1 senador, é um dos casos mais observados. Após queda brusca em 2022, o partido passou por reestruturação, ganhou quadros como Deltan Dallagnol e Ricardo Salles e fala em eleger cerca de 25 deputados e quatro senadores. “O partido Novo chega nas eleições de 2026 muito mais forte do que estava em 2018 e 2022. Isso é uma certeza absoluta”, diz o presidente Eduardo Ribeiro.

Já Solidariedade e PRD, ambos com 5 deputados e sem senadores, formaram federação, mas ainda somam apenas 10 cadeiras – abaixo do mínimo exigido. O PRD, aliás, nasceu justamente da fusão de PTB e Patriota, vítimas anteriores da própria cláusula. No campo de centro‑esquerda, PSDB (14 deputados e 3 senadores) e Cidadania (5 deputados) vivem crise e buscam novas federações após o fim da união entre eles; o Cidadania mira o PSB, enquanto os tucanos tentam evitar virar sigla nanica.

Entre os partidos de centro, o Avante (8 deputados) rejeita federação mesmo com risco alto, ainda mais após o desgaste de André Janones, e o Podemos (16 deputados e 4 senadores) aposta em andar sozinho, confiando na reeleição da bancada e em nomes como Oriovisto Guimarães e Soraya Thronicke. Na esquerda, o PDT (16 deputados e 3 senadores), enfraquecido após a saída de Ciro e Cid Gomes, conversa com o PSB sobre federação.

Na direita emergente, o recém-criado Partido Missão entra em 2026 sem deputados e sem federação, sustentado na projeção de quadros como Kim Kataguiri, Guto Zacarias e Amanda Vettorazzo, mas com alto risco de ficar fora da cláusula já na largada. Outros pequenos sobrevivem graças a federações com siglas maiores, como PCdoB e PV (coligados ao PT) e Rede (federada ao PSOL), enquanto PSTU, DC, PCO e Agir vivem uma existência quase simbólica, sem bancada federal nem acesso pleno a recursos.