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Cármen Lúcia deixa presidência do TSE antes do prazo e abre caminho para Nunes Marques comandar eleições de 2026

Ministra alega sobrecarga entre TSE e STF, e saída antecipada reforça necessidade de equilíbrio e transparência no processo eleitoral

Presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE
Presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE

A ministra Cármen Lúcia anunciou que deixará antecipadamente a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), antecipando a sucessão em meio à aproximação das eleições de 2026. A magistrada afirmou que a decisão busca dar mais tempo para que seu sucessor organize a Corte, garantindo uma transição mais estável às vésperas do pleito, num cenário em que o sistema eleitoral brasileiro está sob forte desconfiança de parte expressiva da sociedade.

Pelo calendário original, o mandato de Cármen Lúcia terminaria em 3 de junho, o que daria pouco mais de 100 dias de preparação ao próximo presidente. Ela, porém, decidiu acelerar o processo:
“Decidi que, ao invés de deixar para o último dia de mandato, em 3 de julho, a sucessão da presidência deste Tribunal Superior Eleitoral se inicie antes, com os procedimentos para eleição dos novos dirigentes da Casa e o processo de transição, para garantir equilíbrio e tranquilidade na passagem das funções (…) As eleições devem ser preparadas […] sem atropelos, sem afobação, para que o processo tenha curso regular, transparente e seguro.”

A ministra também admitiu estar sobrecarregada, dividida entre as funções no TSE e no STF, e declarou que, ao deixar o comando da Justiça Eleitoral, poderá se dedicar integralmente ao Supremo. Na prática, a mudança ocorre num momento delicado, em que a atuação do Judiciário — especialmente em temas ligados à liberdade de expressão, censura e interferência no processo político — vem sendo alvo de críticas de parlamentares, juristas e eleitores conservadores que questionam o protagonismo das Cortes sob o governo Lula e o PT.

Com a saída de Cármen Lúcia, a presidência do TSE será automaticamente assumida pelo atual vice, ministro Nunes Marques, visto com melhores olhos por boa parte do campo de direita. Já o ministro André Mendonça passará a ocupar a vice-presidência. A ministra convocou para 14 de abril a eleição da nova mesa diretora, mas o rito é meramente formal, já que a tradição estabelece que o comando da Corte caiba ao ministro mais antigo que ainda não a presidiu.

A expectativa agora é sobre como Nunes Marques conduzirá a preparação das eleições de 2026, em meio ao desgaste institucional acumulado pela gestão anterior e à necessidade crescente de recuperar a confiança do eleitor no processo eleitoral.