Grupo de Reinaldo aposta em cumprimento de acordo, enquanto bolsonaristas “raiz” temem nova frustração

Uma simples postagem de Carlos Bolsonaro mexeu com todo o tabuleiro da autointitulada direita em Mato Grosso do Sul, especialmente entre pré-candidatos ao governo e ao Senado que orbitam o PL. Ao relatar o estado de saúde de Jair Bolsonaro, ele afirmou que o ex-presidente, mesmo como “preso político”, está preparando “uma lista de pré-candidatos ao Senado, aos governos estaduais e a outras participações políticas igualmente relevantes”. Bastou isso para acender o alerta geral.
No comando do PL em MS, Reinaldo Azambuja trabalha com a expectativa de que Bolsonaro honre o acordo firmado antes da prisão: apoio à reeleição de Eduardo Riedel (PP), ao próprio Reinaldo para o Senado e a um segundo nome escolhido pelo grupo. Essa ala, mais alinhada ao pragmatismo, aposta em arranjo com o PP e na chancela de Valdemar da Costa Neto.
Do outro lado, bolsonaristas que rejeitaram a entrega do partido a Reinaldo sonham com uma guinada: querem candidaturas de oposição a Riedel e ao ex-governador. Entre os mais esperançosos estão Marcos Pollon e João Henrique, que lançaram pré-candidatura ao governo, e Gianni Nogueira, pré-candidata ao Senado. Fora da lista de prioridades de Reinaldo, o trio ameaça deixar o PL para disputar por outra sigla se for novamente escanteado.
O histórico não anima os “bolsonaristas raiz”: em 2022, Bolsonaro apoiou Riedel contra Capitão Contar; em 2024, desfez pré-candidaturas do PL a prefeituras para entregar a estrutura a Reinaldo. Agora, a disputa se soma à briga nacional com o PP, que cobra o cumprimento de acordos em estados como Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
Enquanto Ciro Nogueira pressiona pelo apoio a Riedel, Pollon diz que espera a palavra final de Jair Bolsonaro, e Catan e Gianni admitem trocar de partido se forem deixados de fora da “lista” prometida. O prazo é curto: a janela partidária se encerra em 4 de abril. Até lá, a direita sul-mato-grossense permanece em compasso de espera — e sob forte risco de racha interno.
Crédito: InvestigaMS





