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Careca do INSS citava Lulinha em negociações e teria pago “mesada” milionária, diz testemunha

Ex-funcionário liga filho de Lula a negócios de lobista que atua na área da saúde e é alvo da PF

Foto: Saulo Cruz/Agência Senado
Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

Um ex-funcionário do lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, afirmou que o empresário usava o nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para impressionar fornecedores e parceiros comerciais. Segundo ele, o lobista “falava abertamente sobre o filho do rapaz!!! Fábio Lula da Silva. Falava ‘filho’ e sinalizava mostrando a mão com 4 dedos… Falou o nome de Fábio Lula diversas vezes, a mim, a alguns parceiros comerciais, em reunião de diretoria”.

A testemunha, considerada peça-chave na Operação Sem Desconto, que apura a “Farra do INSS”, relatou à Polícia Federal que o Careca do INSS dizia pagar uma mesada de 300 mil a Lulinha e ter antecipado 25 milhões, ligados ao “Projeto Amazônia” e ao “Projeto Teste de Dengue”. Ele contou ainda que Antonio comentava encontrar o filho de Lula em São Paulo e em Brasília.

Lulinha é apontado como possível sócio oculto do lobista em negócios na área da saúde junto ao governo federal, incluindo fornecimento de cannabis em larga escala ao Ministério da Saúde. Diálogos obtidos pela PF mostram que o empresário enviou R$ 1,5 milhão à socialite Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, referindo-se ao destino do dinheiro como “o filho do rapaz”.

Mensagens revelam que Roberta atuava como núcleo político do Careca do INSS, mantendo contato mesmo após a primeira fase da operação. Em outra frente, registros oficiais indicam que o lobista foi ao Ministério da Saúde cinco vezes, em 2024 e 2025, como representante de empresa de telemedicina e, depois, como presidente da World Cannabis. Lulinha nega proximidade e qualquer relação com o lobista.