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Caiado ataca experiência de Flávio, mas ignora que senador está na política há mais de 20 anos

Governador de Goiás, que fará 77 anos, tenta colar rótulo de inexperiente em adversário direto e abre flanco sobre própria idade

Ronaldo Caiado Foto: Reprodução/Instagram @ronaldocaiado
Ronaldo Caiado Foto: Reprodução/Instagram @ronaldocaiado

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), iniciou sua pré-campanha à Presidência mirando diretamente em um concorrente do mesmo campo político: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nesta segunda-feira (30), em evento na sede do PSD em São Paulo, Caiado declarou que o pré-candidato do PL “não tem vivência nem experiência”.

“Ele não teve essa experiência. Não acumulou essa experiência. Não tem essa vivência de contatar com o Congresso, contatar com o Supremo, contatar com os outros governadores”, afirmou o goiano, ao tentar desqualificar o filho de Jair Bolsonaro justamente num terreno em que Flávio está longe de ser novato.

Apesar de completar 45 anos agora em abril, Flávio Bolsonaro é político eleito desde 2002. São mais de duas décadas ocupando cargos eletivos, passando por Assembleia Legislativa, Senado e convivendo diariamente com o ambiente institucional de Brasília. Isso sem contar o período anterior e paralelo nos bastidores, acompanhando o pai e os irmãos, em campanhas, articulações e embates legislativos. Dizer que ele “não tem vivência” soa menos como análise e mais como discurso de campanha de quem enxerga um adversário direto no mesmo eleitorado de direita.

Caiado, que usou a idade como argumento político – “o ímpeto da idade, às vezes, ultrapassa alguns momentos de equilíbrio. E governar não se governa por decreto. Se governa dialogando, se governa sentando à mesa” –, também abriu espaço para o contraponto. Prestes a completar 77 anos, o governador goiano, se fosse servidor público concursado, já estaria aposentado compulsoriamente, pela própria legislação brasileira. Na tentativa de carimbar Flávio como “jovem demais” para o cargo, Caiado termina expondo a dúvida inversa: num país que clama por renovação na direita, talvez o problema não seja a falta de experiência do senador, mas o excesso de anos de velha política acumulados por alguns dos seus críticos.