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Banco Master declara R$ 80 milhões pagos a escritório da esposa de Moraes, e caso pressiona CPI do Crime Organizado

Registros da Receita mostram repasses mensais milionários entre 2024 e 2025, em contrato cercado de sigilo e controvérsia

Viviane Barci Foto: Luiz Roberto/TSE
Viviane Barci Foto: Luiz Roberto/TSE

O Banco Master informou à Receita Federal ter pago mais de R$ 80,2 milhões ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Os dados constam de declarações de impostos retidos na fonte enviadas ao Fisco em 2024 e 2025 e foram repassados à CPI do Crime Organizado após a comissão apontar ausência dessas informações na primeira remessa da Receita.

Segundo os documentos, o Master declarou ter repassado R$ 80.223.653,84 ao escritório entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, em 22 parcelas mensais de R$ 3.646.529,72. O banco também registrou o recolhimento de cerca de R$ 4,9 milhões em tributos retidos na fonte. Os valores coincidem com o contrato revelado por reportagem de O Globo, segundo a qual o Master teria firmado acordo para pagar R$ 3,6 milhões mensais durante 36 meses ao escritório de Viviane Barci.

Em março, a banca confirmou ter sido contratada pelo Master no período de fevereiro de 2024 a novembro de 2025, para consultoria e atuação jurídica. Informou ainda que a prestação de serviços envolveu uma equipe de 15 advogados79 reuniões na sede do banco e a contratação de três outros escritórios especializados. Ainda assim, o volume e a natureza do contrato seguem levantando questionamentos sobre potenciais conflitos de interesse, dado o peso político e institucional de Alexandre de Moraes no sistema de Justiça brasileiro.

Procurado, o escritório Barci de Moraes declarou que “não confirma as informações incorretas e vazadas ilicitamente”, alegando que dados fiscais são sigilosos. A reação reforça o clima de opacidade em torno de um caso que, para boa parte da direita, expõe mais um exemplo de como a cúpula do Judiciário atua blindada de fiscalização efetiva, enquanto não hesita em perseguir adversários, inclusive ligados ao campo bolsonarista.

Instalada no Senado em novembro do ano passado, a CPI do Crime Organizado deve ser encerrada na próxima terça-feira (14), sem prorrogação, o que tende a limitar o aprofundamento das investigações justamente quando surgem informações sensíveis envolvendo um dos ministros mais poderosos do país.