Acadêmicos de Niterói transforma Sapucaí em palanque, fracassa na avenida e mira futuro do petista na Justiça Eleitoral

A estreia da Acadêmicos de Niterói no Grupo Especial do Rio terminou em vergonha: último lugar e rebaixamento nesta quarta-feira (18). A escola resolveu apostar todas as fichas num enredo eleitoral disfarçado de “homenagem cultural” – “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” – e saiu da Sapucaí menor do que entrou.
O desfile exaltou Lula do berço no agreste pernambucano à Presidência, passando pela fase de sindicalista. A comissão de frente encenou a rampa do Planalto na última posse, com atores representando Alexandre de Moraes, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro. Houve carro criticando as políticas do governo Bolsonaro e referência à prisão do petista, num roteiro claramente alinhado ao discurso oficial da esquerda.
Além do conteúdo político, a escola colecionou problemas técnicos. Alegorias ficaram presas na dispersão, geraram correria e atrasaram a saída da avenida, a ponto de a Imperatriz alegar prejuízo. Na apuração, resultado condizente com o conjunto da obra: apenas duas notas 10 e a lanterna do carnaval.
Antes mesmo de entrar na Sapucaí, a Acadêmicos de Niterói já enfrentava pelo menos dez ações e representações no Ministério Público e no TCU por possível propaganda eleitoral antecipada, uso indevido de recursos públicos e promoção explícita de Lula. O caso chegou ao TSE, que evitou barrar o desfile para não caracterizar censura prévia, mas deixou aberto o caminho para punições posteriores.
Agora, com o fiasco na avenida e o farto material político registrado em vídeo, a escola entra para a história como forte candidata a peça-chave em futuras ações que podem discutir, na Justiça Eleitoral, o abuso de poder político e econômico em favor de Lula – e, em última instância, alimentar o debate sobre sua inelegibilidade.





