Produção de Kleber Mendonça Filho é criticada por “vender aventura à la James Bond” e entregar quase três horas de trama lenta

A revista britânica Far Out Magazine colocou o filme brasileiro “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, em uma lista dos títulos mais enganosos do cinema mundial. A seleção, divulgada na segunda-feira (6), destaca obras cujos nomes, na visão da publicação, não correspondem ao tipo de história que o público imagina ao ler o título.
O longa aparece em quinto lugar no ranking. Segundo o texto assinado por Tim Bradley, o nome do filme induz o espectador a esperar algo próximo a um blockbuster de ação:
“Tem um título bastante direto, que leva a esperar algum tipo de aventura ao estilo James Bond, mas, em vez disso, entrega quase três horas torturantes, em que praticamente nada acontece”.
A lista também inclui produções consagradas, como “Baby Driver” (Em Ritmo de Fuga), de Edgar Wright; “Trainspotting”; “Sem Limites”, de Danny Boyle; “Brazil”, de Terry Gilliam; “Cães de Aluguel”, de Quentin Tarantino; e “O Comboio do M0rte” (“Sorcerer”), de William Friedkin.
Ambientado no Recife de 1977, em plena ditadura militar, “O Agente Secreto” acompanha Marcelo, vivido por Wagner Moura. Professor universitário perseguido por um industrial paulista, ele volta à cidade natal para tentar se reaproximar do filho pequeno, que vive com os avós. Ou seja, em vez da fantasia de espionagem, o filme aposta em um drama político e existencial, típico do circuito de festivais que costuma agradar à crítica internacional alinhada a pautas de esquerda.
Apesar da crítica ao título, o longa teve grande repercussão fora do Brasil. Entre 2025 e o início de 2026, acumulou mais de 70 prêmios em festivais, incluindo melhor direção e melhor ator em Cannes. No Oscar de 2026, chegou com quatro indicações: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (Wagner Moura) e Melhor Seleção de Elenco, mas saiu de mãos abanando, sem levar nenhuma estatueta – um resultado que reforça a distância entre o entusiasmo dos festivais e a percepção mais ampla de público e jurados.





