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Dagoberto fortalece federação PP/União e pode tirar vaga da direita, ameaçando reeleição de Luiz Ovando em MS

Deputado de esquerda entra como puxador de votos e, ao lado de Rose Modesto, pode garantir cadeiras da federação às custas de nomes conservadores

Dagoberto Nogueira e Dr. Luiz Ovando - Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Dagoberto Nogueira e Dr. Luiz Ovando – Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

A filiação do deputado federal Dagoberto Nogueira (hoje no PSDB, com histórico de alinhamento à esquerda) ao PP nesta terça-feira redesenha a disputa pelas vagas de Mato Grosso do Sul na Câmara dos Deputados. Após romper com Aécio Neves e comunicar que não permaneceria no PSDB, Dagoberto passa a integrar a federação PP/União Brasil, que entra com força na briga com o PL para montar a chapa mais competitiva do Estado.

Com sua chegada, a federação ganha um puxador de votos de perfil mais à esquerda, o que aumenta o potencial para eleger até três deputados federais. O grupo contará, pelo PP, com Dagoberto, o deputado Luiz Ovando – que tenta a reeleição e é um dos principais nomes da direita sul-mato-grossense em Brasília – e o secretário de Desenvolvimento, Jaime Verruck. Pelo União Brasil, entram a ex-deputada federal Rose Modesto e o deputado estadual Roberto Hashioka.

O problema, do ponto de vista conservador, é aritmético e político: Dagoberto, vindo do campo da esquerda, tende a somar muitos votos à federação e pode, na prática, empurrar para fora exatamente um deputado de direita, Luiz Ovando. Com Rose Modesto e o próprio Dagoberto despontando como grandes puxadores, a terceira vaga da federação pode acabar nas mãos de outro nome competitivo, deixando Ovando fora da Câmara mesmo com votação relevante.

Enquanto isso, o PL organiza uma chapa forte, com Rodolfo Nogueira e Marcos Pollon, além da chegada de Mara Caseiro, Edson Giroto, Tenente Portela e Luana Ruiz. Se Pollon não concorrer, sua vaga deve ser ocupada pela esposa, Naiane Bitencourt. Nesse cenário, a entrada de um deputado de esquerda como Dagoberto no PP/União não apenas fortalece a federação, mas também aumenta o risco de que uma cadeira hoje ocupada por um conservador seja tomada por quem tende a votar alinhado ao governo Lula em Brasília.