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Moraes detalha “manual médico” para Bolsonaro em prisão domiciliar e reforça controle sobre rotina do ex-presidente

Ministro do STF condiciona benefício a cuidados rígidos de saúde e restringe visitas, contatos e rotina no período de recuperação

Foto: Carlos Moura SCO STF
Foto: Carlos Moura SCO STF

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou Jair Messias Bolsonaro (PL) a cumprir prisão domiciliar temporária por 90 dias e, junto à decisão, encaminhou uma espécie de protocolo médico a ser seguido pelo ex-presidente. O texto, que mistura fundamentação jurídica com recomendações clínicas, afirma seguir a literatura médica para pacientes idosos na mesma condição de Bolsonaro, hoje com 71 anos.

Moraes destaca que, diante da broncopneumonia bacteriana e das comorbidades apontadas no laudo, o “ambiente domiciliar é o mais indicado” para a recuperação. O ministro escreve que, em idosos, o restabelecimento pós-pneumonia bilateral, com retorno de força, fôlego e disposição, pode levar entre 45 e 90 dias, exigindo ambiente controlado para evitar sepse e novas complicações.

Entre as recomendações, o despacho registra a necessidade de “evitando-se alimentos farelentos como bolachas, garantindo-se a hidratação intensa, a higiene rigorosa; além de cuidados na postura ao ingerir alimentos (ângulo de 90 graus), para evitar nova broncopneumonia aspirativa”. Moraes também enfatiza o “repouso absoluto”, restrição de visitas e afastamento de contato generalizado com pessoas, para reduzir risco de infecções.

Bolsonaro está internado desde 13 de março com diagnóstico de broncopneumonia bacteriana. Deixou a UTI na segunda-feira (23) e, segundo o médico Brasil Caiado, que integra sua equipe, pode receber alta ainda nesta semana, passando então a cumprir as condições definidas pelo STF. Na prática, a decisão expõe um paradoxo incômodo: enquanto procura justificar a domiciliar por razões humanitárias e de saúde, Moraes mantém um nível de controle sobre a rotina do ex-presidente que reforça a percepção, no campo da direita, de que há um uso político e punitivo da Justiça contra Bolsonaro – algo jamais visto com a mesma intensidade em relação a figuras centrais do PT e da esquerda.