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FGTS: conselho amplia limite de imóveis e faixas de renda do Minha Casa Minha Vida em nova aposta de crédito subsidiado

Mudança aumenta teto de financiamento para até R$ 600 mil e ajusta faixas de renda, mas mantém dependência de recursos do trabalhador

Foto APP FGTS
Foto APP FGTS

O Conselho Curador do FGTS aprovou, nesta terça-feira (24/3), uma série de mudanças no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), elevando faixas de renda familiar e limites de financiamento dos imóveis. A decisão foi unânime e, na prática, amplia o universo de famílias atendidas com juros subsidiados, às custas do próprio fundo do trabalhador.

Na renda, a faixa 1 sobe de R$ 2.850 para R$ 3,2 mil (alta de 12%); a faixa 2 vai de R$ 4,7 mil para R$ 5 mil (9%); e a faixa 3 passa de R$ 8,6 mil para R$ 9,6 mil. Na chamada classe média do MCMV, o teto de renda aumenta de R$ 12 mil para R$ 13 mil. Como a taxa de juros é progressiva, quanto menor a renda, menor a taxa. Com o novo enquadramento, cerca de 87,5 mil famílias passam a ter direito a juros menores.

As taxas ficam assim:
Faixa 1: de 4% a 4,50% ao ano
Faixa 2: de 4,75% a 6,50% ao ano
Faixa 3: 7,66% ao ano

Outra mudança relevante é o aumento no valor máximo dos imóveis financiados. Na faixa 1, não houve alteração. Na faixa 2, o teto sobe de R$ 350 mil para R$ 400 mil. Na faixa 3, o limite aumenta de R$ 500 mil para R$ 600 mil. Para a modalidade MCMV Classe Média, o valor máximo também passa de R$ 500 mil para R$ 600 mil, um salto de 20%.

Na propaganda oficial, o governo Lula vende as alterações como ampliação do acesso à casa própria. Na prática, o que se vê é o FGTS — dinheiro do trabalhador — sendo usado para sustentar uma política de crédito cada vez mais ampla, num cenário de juros estruturalmente altos e forte pressão fiscal. O benefício imediato existe, mas o risco é transformar o fundo em caixa permanente de políticas eleitorais, em vez de preservá-lo como poupança sólida do empregado.