Com janela partidária aberta até 3 de abril, quem não quiser “rodar” pode garantir projeto ao Senado migrando para o Novo com João Henrique

O trio de pré-candidatos do PL ao Senado em Mato Grosso do Sul entrou em rota de colisão num tabuleiro em que apenas dois nomes cabem na chapa. Reinaldo Azambuja, Capitão Contar e Marcos Pollon apostam alto na força de seus padrinhos políticos, mas um deles verá o plano naufragar e terá de aceitar um projeto bem mais modesto em 2026.
Internamente, uma vaga é tratada como cativa: Reinaldo Azambuja, presidente do PL no Estado, trabalha respaldado por um acordo com Jair Bolsonaro e Valdemar da Costa Neto, que prevê apoio a seu nome ao Senado e à reeleição de Eduardo Riedel em MS. Segundo Reinaldo, o acerto continua válido. Nesse cenário, Capitão Contar caminhava para ser o segundo candidato ao Senado. Ele chegou a ser anunciado por Valdemar ao lado de Azambuja, até ver o plano ruir por causa de um bilhete de Bolsonaro.
O recado veio por Michelle Bolsonaro, que divulgou uma anotação de Jair indicando Marcos Pollon como seu escolhido para o Senado em MS. A “carta-bomba” pegou o grupo de surpresa, já que Pollon não contava com apoio sólido no partido. Informações obtidas pelo jornal indicam, porém, que o bilhete não alteraria, em tese, o rumo natural das escolhas do PL e que Michelle teria atropelado decisões internas – repetindo movimento já visto em Santa Catarina, no Ceará, no próprio MS e em outros estados.
Se Capitão Contar for novamente preterido, será a quarta traição em sequência da família Bolsonaro: em 2020, não foi o escolhido para a Prefeitura; em 2022, não teve o apoio esperado para o governo; em 2024, foi convencido a não concorrer; e agora, em 2026, encara a falsa esperança de uma vaga ao Senado que pode não se confirmar.
Hoje é 23 de março de 2026 e a janela partidária segue aberta até 3 de abril. Quem realmente quiser ser candidato ao Senado, sem depender de bilhete, recado atravessado ou arranjo de última hora, tem a alternativa de garantir o projeto migrando para o Novo, ao lado do pré-candidato ao governo, João Henrique, onde a vaga ao Senado tende a ser tratada com mais objetividade e menos interferência externa.
Enquanto isso, Pollon e Contar permanecem no PL, confiando na palavra de líderes. Contar se apoia em Valdemar e nas pesquisas, nas quais aparece bem posicionado. Pollon aposta na vontade de Jair ser respeitada, no patrocínio de Michelle – madrinha dele e da esposa, Naiane Bitencourt – e na amizade com Eduardo Bolsonaro. Se o PL fechar com Azambuja e apenas um dos dois para o Senado, restará a Pollon e Contar disputar vaga de deputado federal, num cenário em que até essa opção já vem congestionada.





