Liderança da categoria diz que paralisação é “de sobrevivência” e compara cenário ao caos de 2018

Caminhoneiros de todo o Brasil confirmaram uma greve nacional a partir da próxima quinta-feira (19), em reação direta ao novo aumento do diesel anunciado pela Petrobras na última sexta-feira (13). A paralisação foi confirmada por Wallace Landim, o Chorão, presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), e já preocupa o governo Lula, que prometia cuidar dos “mais pobres”, mas empurra o setor para o colapso.
Segundo Chorão, o movimento não tem caráter partidário, mas expressa o desespero de uma categoria sufocada pelos custos:
– “Já estamos bem avançados. Não é um movimento político, a favor de governo A ou B. A decisão é de sobrevivência. O caminhoneiro hoje trabalha de graça; o dinheiro não está pagando nem o custo operacional”.
Horas antes do reajuste, Lula tentou posar de aliado dos caminhoneiros ao anunciar suspensão de PIS e Cofins sobre o diesel e um programa de subvenção. A Petrobras, porém, ignorou o discurso do Planalto e aumentou o combustível, esvaziando a encenação do governo. Para Chorão, as medidas são insuficientes, e a greve deve seguir a mesma linha da grande paralisação de 2018:
– “A gente tem demandas para proteger a categoria, como a planilha de custo mínimo e a isenção do caminhão vazio. É o mesmo peso, a mesma dor de 2018. É o mesmo filme. Já faz oito anos”.
O aumento do diesel ocorre em meio à alta global do petróleo, pressionada pelo conflito no Oriente Médio e pela insegurança no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo mundial. Mas, enquanto o cenário internacional é desafiador, a incapacidade do governo Lula em reduzir carga tributária, cortar gastos e criar um ambiente econômico favorável faz o efeito chegar com ainda mais força ao bolso de quem vive da estrada.
Se a greve se consolidar nos moldes de 2018, o país pode voltar a enfrentar bloqueios em rodovias, desabastecimento e impacto direto na inflação, escancarando mais uma vez como políticas estatizantes e intervencionistas acabam punindo justamente quem produz e faz o Brasil andar.





