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Flávio é oponente mais difícil que Tarcísio, diz conselheiro de Lula

João Paulo Cunha admite cenário duro para o PT e vê governador de SP com maior margem de desgaste

João Paulo Cunha Foto: Reprodução/YouTube Papo Reto
João Paulo Cunha Foto: Reprodução/YouTube Papo Reto

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha, um dos conselheiros mais ouvidos por Lula, avalia que o PT pode estar lendo mal o quadro eleitoral ao subestimar Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como principal adversário em 2026. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, ele afirmou que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) tende a ser um alvo mais frágil que o filho “01” de Jair Bolsonaro.

Segundo Cunha, o sobrenome Bolsonaro já está totalmente incorporado ao imaginário do eleitorado, inclusive no que diz respeito à rejeição. Ou seja, ataques adicionais teriam pouco efeito, algo que ele compara à própria situação de Lula. “A rejeição do Flávio, ou dos Bolsonaro, é uma rejeição já medida, precificada. Sabemos que qualquer coisa que a gente jogar no Flávio não vai pegar, porque a rejeição já está no limite, assim como a do Lula”, afirmou, em entrevista publicada nesta quarta-feira (18).

Na visão do petista, Tarcísio ainda tem espaço para aumento de rejeição à medida que se torne mais conhecido fora de São Paulo, o que o tornaria mais vulnerável ao desgaste conforme os problemas de gestão e segurança pública ganhem projeção nacional. Cunha também minimizou o entusiasmo do mercado financeiro paulista com o governador, lembrando que apoio da Faria Lima não se converte automaticamente em voto nas demais regiões do país.

Ele ainda reconheceu que a “frente ampla” construída em 2022 não foi preservada com eficiência pelo governo Lula e pela cúpula do PT. “Eu acho que nós perdemos um pouco do tempo. Isso que o pessoal da direção do PT e do governo está fazendo agora, ir atrás de MDB, PSD e de todos os partidos de centro, se a gente tivesse começado isso há um ano, um ano e pouco atrás, talvez estivéssemos em uma situação um pouco melhor”, admitiu. A fala expõe a preocupação interna com a competitividade do projeto petista diante do fortalecimento da direita e do bolsonarismo.