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Mensagens no celular de banqueiro citam repasses a Toffoli e alimentam suspeitas sobre STF

Gabinete do ministro fala em “ilações”, enquanto PF aprofunda apuração sobre relação com Banco Master

Ministro Dias Toffoli, do STF Foto: Carlos Moura/SCO/STF
Ministro Dias Toffoli, do STF Foto: Carlos Moura/SCO/STF

Mensagens extraídas do celular do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, pela Polícia Federal, mencionam supostos pagamentos ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). O conteúdo faz parte de perícia concluída nesta quarta-feira (11) e foi revelado pelo jornalista Caio Junqueira, da CNN Brasil, aumentando a pressão sobre o magistrado já alvo de críticas pelo alinhamento a interesses pouco transparentes em Brasília.

Segundo a apuração, autoridades públicas aparecem citadas em conversas do banqueiro. Em alguns trechos, o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel – também investigado –, faz referência a transferências de valores que estariam ligadas a Toffoli. Investigadores ouvidos pela emissora relataram ainda que o próprio ministro teria feito menções a pagamentos, de forma cifrada. A PF tenta esclarecer se esses repasses teriam partido de uma empresa que foi sócia de um fundo do Banco Master no resort Tayayá, empreendimento utilizado por Toffoli e que pertenceu a seus irmãos.

Diante do avanço das investigações, o gabinete do ministro reagiu e classificou o pedido de suspeição apresentado no caso como baseado em “ilações”, sem amparo jurídico. A nota sustenta que a PF não teria legitimidade para formular esse tipo de requerimento, à luz do artigo 145 do Código de Processo Civil – argumento que, na prática, reforça a blindagem institucional do STF num momento de crescente desconfiança da opinião pública.

A defesa de Daniel Vorcaro, por sua vez, criticou o que chama de vazamentos seletivos, alegando “constrangimentos indevidos” e risco de “narrativas equivocadas” que afetariam o direito de defesa. Os advogados afirmam confiar no “regular funcionamento da Justiça”, desde que a apuração seja técnica e equilibrada. Enquanto isso, o caso segue expondo, mais uma vez, a promiscuidade entre grandes interesses financeiros e setores do Judiciário, tema recorrente nas críticas da direita ao atual arranjo de poder em Brasília.