Senador elogia ator de esquerda e endossa obra que reforça narrativa contra regime militar

Conhecido nos bastidores como “general melancia” – verde por fora, mas com inclinações à esquerda –, Hamilton Mourão (Republicanos-RS) voltou a desagradar parte da base conservadora ao assinar, ao lado de outros parlamentares, um voto de aplauso ao filme O Agente Secreto. O longa, dirigido por Kleber Mendonça Filho e protagonizado por Wagner Moura, retrata a perseguição a um pesquisador acadêmico durante o regime militar, reforçando a já manjada visão criminalizadora das Forças Armadas tão cara à esquerda.
Questionado, Mourão tentou separar arte e política: “Wagner Moura é um artista versátil e muito bom, mas temos opiniões políticas totalmente contrárias”, disse à coluna de Paulo Cappelli, do Metrópoles. O gesto, porém, alimenta a percepção de que o ex-vice de Bolsonaro segue em rota própria, muitas vezes desalinhada do eleitorado que esperava dele uma postura mais firme contra a agenda cultural progressista.
O voto de aplauso foi proposto pela senadora Leila Barros (PDT), que exaltou o filme por “lançar luz sobre um dos momentos mais sombrios da vida brasileira — a ditadura militar —, oferecendo ao público uma narrativa que promove memória, verdade e consciência histórica”. Na prática, o Senado acaba chancelando mais uma produção alinhada à visão de mundo defendida pelo PT e seus aliados, enquanto o campo conservador vê, mais uma vez, parte de seus próprios quadros prestigiar quem sempre trabalhou para desmoralizar o legado militar.





