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Soraya Thronicke pode virar a senadora de Lula em MS após romper com Bolsonaro

Mudança de discurso isola ex‑aliada da direita e a aproxima do campo petista para 2026

Soraya Thronicke (Podemos-MS) - Foto: Geraldo Magelay/Agência Senado
Soraya Thronicke (Podemos-MS) – Foto: Geraldo Magelay/Agência Senado

Oito anos depois de surpreender o país ao se eleger como “a senadora de Jair Bolsonaro”, Soraya Thronicke (Podemos) agora desperta atenção por um movimento oposto: sua possível aproximação com Luiz Inácio Lula da Silva. Após romper publicamente com o ex‑presidente e passar a chamar antigos apoiadores de “seita”, Soraya afirma que não fará campanha a qualquer nome apoiado por Bolsonaro, postura que desgastou sua relação com a base conservadora que a elegeu em 2018.

Ciente do afastamento do eleitorado de direita, Soraya tem direcionado recursos e atenção à agricultura familiar, beneficiando indígenas e assentados — um público tradicionalmente alinhado ao PT. A atuação contra Bolsonaro tem agradado à militância petista, colocando-a como opção de segundo voto ao Senado entre setores da esquerda de Mato Grosso do Sul.

Nos bastidores, aliados já falam no apadrinhamento de Lula, sobretudo se Vander Loubet, hoje pré‑candidato ao Senado, desistir da disputa. Vander declarou buscar um segundo nome para compor o que chama de “campo democrático” e citou Soraya e Nelsinho Trad como alternativas. Nelsinho, no entanto, não deve integrar a aliança, pressionado a apoiar Eduardo Riedel (PP) e Ratinho Júnior (PSD), ambos adversários do PT.

Sem apoio das lideranças estaduais da direita, como Riedel e Reinaldo Azambuja, Soraya encontra no apoio de Lula uma janela política estratégica. Embora a maioria do eleitorado sul‑mato‑grossense seja conservadora, o respaldo de um presidente em campanha, com estrutura federal à disposição, pode alterar o equilíbrio de uma disputa que promete forte embate pelas duas vagas ao Senado.